PRESCRIÇÃO DO TREINAMENTO DE FORÇA PARA CRIANÇAS - ASPECTOS A SEREM CONSIDERADOS PARTE I

Quando formos prescrever qualquer tipo de treinamento de força para crianças de todas as idades devemos ter em mente algumas diretrizes básicas. Cargas gerais devem sempre ser enfatizadas, a força é a capacidade a ser desenvolvida, os exercícios, se necessário, devem ser adaptados as necessidades das crianças e o princípio da conscientização deve ser usado em todas as etapas do treinamento.

É através desse princípio que o professor irá conscientizar a criança a respeito das variáveis do treinamento com pesos. A troca de informações entre professor e aluno deve ser constante sendo que o professor dever sempre estar auxiliando seu aluno-mirim em todos os momentos durante a sessão de treinamento. O aluno- mirim dever ter também o direito de desistir a qualquer momento do treinamento com pesos caso este não esteja lhe agradando mais.

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O QUE CONSIDERAR ?

- FORÇA E HIPERTROFIA MUSCULAR

No caso das crianças a hipertrofia muscular nunca deve ser o objetiva à ser alcançado. Mesmo por que as evidências mostram que o crescimento muscular em, resposta ao treinamento de força, ocorre após a adolescência quando os perfis hormonais já foram estabelecidos.

Porém, aumentos significativos na força muscular em crianças foram atingidos após sua participação em programas regulares de treino com pesos. Melhoras no padrão de recrutamento das fibras musculares podem contribuir para evitar o aparecimento de lesões e melhorar o rendimento em outros esportes.

Dessa forma, o treinamento de musculação pode ser utilizado com um meio complementar a um programa de treinamento para atletas mirim ou, ainda, para simplesmente aumentar a força de crianças que queiram praticar algum tipo de atividade.

- MATURIDADE ÓSSEA

Ao contrário do que muitos podem pensar, o treinamento de força pode aumentar o desenvolvimento ósseo da criança. A resistência, ocasionada pelo treino, aumenta a tensão do músculo e a compressão óssea (importante para estimular a modelagem do osso).

Porém lesões relacionadas as cartilagens ósseas em atletas mirim (principalmente entre os levantadores de peso), apesar de raras, já foram relatadas na literatura. Danos as cartilagens de crescimento podem produzir dores articulares durante movimento.

Os maiores índices de fratura da placa epifisária ocorreram em exercícios de levantamentos sobre a cabeça com cargas máximas ou próximo da máxima. Sendo que o pico de incidência ocorreu em meninos com idades entre 12 e 14 anos e em meninas entre 10 e 13 anos.

Para que esse tipo de lesão não ocorra, recomenda-se evitar exercícios com cargas máximas ou próxima das máxima em púberes e pré-púberes que devem estar sempre recebendo a supervisão de um adulto durante as sessões de treinamento. Além disso, a técnica correta de execução de todos os exercícios deve ser sempre trabalhada .

Outro problema que também pode ser agravado pelo treinamento incorreto são os problemas na região lombar da coluna. Técnicas inadequadas e cargas excessivas são as principais responsáveis por esse tipo de inconveniente. Recomenda-se, mais uma vez, evitar os excessos e técnicas incorretas de execução. Um trabalho de fortalecimento da região central do corpo, através de exercícios abdominais, flexões e extensões da coluna, são recomendados.

- EXERCÍCIOS ADAPTADOS

Muitas vezes os equipamentos não podem ser ajustados para acomodar uma criança. Modificações nos aparelhos também podem trazer problemas uma vez que a criança pode não alcançar todos os pinos e travas de ajuste. Sendo assim, a presença constante de um adulto faz-se necessária para realizar ajustes nas máquinas.

Outra forma de resolver o problemas de má posição da criança nos equipamentos é a utilização de pesos livres ou do próprio preso corporal.

NO PRÓXIMO POST :

- TOLERÂNCIA AO EXERCÍCIO;

- DIFERENÇAS ENTRE MENINOS E MENINAS NA PRESCRIÇÃO

- DICAS E RECOMENDAÇÕES NA ELABORAÇÃO DO TREINO EM DECORRÊNCIA DA IDADE

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Fleck SJ, Kraemer WJ. Fundamentos do treinamento de força muscular. 2ª. Edição. São Paulo: Artmed Editora;1999.
Kraemer WJ, Fleck SJ. Treinamento de força para jovens atletas. São Paulo. Editora Manole; 2001.

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